Chico Bento na terra do Tio Sam

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Dezembro

São mais de 300 dias debaixo da opressão
Medo da guerra, da bala perdida, medo do medo da solidão,
Eu vejo os shoppings lotados, ruas lotadas,
Avenidas decoradas por corações vazios...

(Uma noite de paz – Fruto Sagrado)

Is this the New Year, or just another night?
Is this the new fear, or just another fright?
Is this the new tear, or just another desperation?

(The Blues – Switchfoot)

Sinceramente, não consigo entender de onde vem essa melancolia característica do mês de dezembro. Fim de ano, todo mundo viaja, muita gente espera ansiosamente por essa época. Mas eu sinto calafrios só de ver aquela decoração de luzes coloridas e laços vermelhos. Acho que é porque os festejos usualmente só me trazem dor de cabeça: meu pai planeja uma coisa, minha mãe quer outra, e sempre dá briga. E eu assisto de camarote. Se dependesse de mim, o calendário só iria até o mês 11. Assim a gente pulava direto de novembro pra janeiro...

Mas acho que o problema não é só esse não. É algo mais. É porque eu não entendo essa empolgação das pessoas, toda essa “mágica” criada em torno das festas de fim de ano. Por que será que as pessoas aguardam tanto uma data cujo significado ninguém entende de verdade? Por que nos reunimos em um farto banquete todo ano? E o que ele simboliza afinal? E por que todo mundo tem que ficar bonzinho e amar uns aos outros e fazer caridades e dizer coisas bonitas só no Natal, enquanto no resto do ano é tudo diferente? É o “espírito natalino” pré-fabricado pela Rede Globo, pra vender sua programação de fim de ano.

No réveillon a hipocrisia continua. Não preciso esperar o dia 31 pra prever o que vai acontecer. Vai ser exatamente como nos últimos 20 anos. Família reunida, um monte de gente vestida de branco (qual é a neura com esse negócio de vestir branco?), os tios fazendo sempre as mesmas perguntas retóricas, porque não têm o que falar mesmo: “Chegou que dia?”, “Como tá a faculdade?”, “E a mulherada?” e sem dúvida a minha favorita: “Rapaiz, cê tá gordo hein?”. É incrível como, aos olhos dos meus tios, eu sempre estou mais gordo do que no encontro anterior. Seguindo essa contabilidade, estarei atingindo os 300kg em breve.

Mas continuando a descrição da cena, saltemos adiante para a hora da “grande virada”. Meia-noite todos se abraçam e choram. Não sei de onde vem tanta lágrima. Tento chorar também, mas não consigo. Talvez eu seja insensível. Ou talvez, seja um dos poucos naquele lugar que percebem que o ano-novo não tem nada de tão novo assim. Só o que muda é um algarismo. Em vez de 6, um 7. Mas o resto continua igual: as guerras, a fome, o mensalão, a Rede Globo e até mesmo os tios que, no ano que vem, dirão que eu estou um pouquinho mais gordo.

Não sou contra o Natal, ao contrário. Vamos celebrar o Natal, mas que seja todos os dias, com um sorriso, com um beijo, com um tapa nas costas do amigo. Celebremos o Natal falando de Jesus, do seu nascimento, ou ainda da sua morte e principalmente do seu amor pela humanidade, que o levou a sofrer tudo o que sofreu. Façamos isso todos os dias, não precisa esperar um ano inteiro.

Também não sou contra a festa de ano-novo. Você pode festejar o ano-novo, desde que não se esqueça de festejar também o mês-novo, a semana-nova e o dia-novo. Isso mesmo! Cada vez que o sol nasce, traz consigo um dia totalmente novo, com possibilidades inéditas, então não deixe ele passar despercebido. Não espere 365 dias para fazer promessas que serão esquecidas depois de algumas horas regadas a champanhe. “Eu vou parar de fumar”, “Vou estudar mais esse ano”. Não seja tão covarde. Faça o que tem que ser feito agora mesmo. Não espere até o mês de dezembro. Porque dezembro é só mais um mês como qualquer outro.

domingo, 3 de dezembro de 2006

Carpe Diem

"Carpe Diem (latim) - significa " colha o dia " ou " aproveite o momento ". Essa regra de vida pode ser encontrada em "Odes" (I, 11.8) do poeta romano Horácio (65 - 8 AC), onde se lê:

Carpe diem quam minimum credula postero
(colha o dia, confia o mínimo no amanhã)

É também utilizado como uma expressão para solicitar que se evite gastar o tempo com coisas inúteis ou como uma justificativa para o prazer imediato, sem medo do futuro." (Extraído do Wikipedia)

Quem viu o filme A Sociedade dos Poetas Mortos, com o formidável Robin Williams, conhece muito bem essa expressão, cuja tradução ao pé da letra não faz muito sentido, mas que sintetiza essa idéia de viver cada dia como se fosse o último.

Quando escrevi esse poema (uma música, na verdade, mas sem melodia ainda), não tinha idéia do título que levaria. Mas quando terminei e dei uma lida, a expressão me veio quase que automaticamente. A mensagem que eu quis trazer se encaixa perfeitamente no escopo da frase. Aproveitar o dia!

Um leitor desavisado pode pensar: "Mas eu já faço isso! Eu passeio com meu carro importado, saio com meus amigos pra comer água até ficar de porre, pego todas as menininhas...". Tá, eu garanto que isso tudo é muito divertido, mas eu falo de outras coisas, aquelas atitudes mais simples, que fazem a vida valer a pena. Como eu cresci numa cidade pequena, aprendi a valorizar essas coisas desde muito cedo. Sentar na calçada pra trocar uma idéia, falar besteira, comer um acarejé na Pituba...

Baseado nisso, eu escrevi essa canção, que aliás foi minha primeira composição em inglês, só pra variar um pouco. Vou dedicá-la as duas amigas minhas que me deram a maior força, sempre me encorajando a escrever mais. Debão e Ju Leme, obrigado por tudo. Essa vai pra vocês:

Carpe Diem

Here comes another day
Just another déjà vu
Just another cup of coffee
You turn on the TV, watch the news
Everyday looks like the same
Is it all that you can do?
Where do you think you’re going to?

You’d better start to think different
Take control, take a step
Make a choice, make a movement
Seize the day, don’t hold back

Spend time with your friends
Let’em know how precious they are
Do not hold grudges
They won’t do any good to your heart

Tell a joke, sing a song

Hang out with your dad, kiss your mom

You never know when they will be gone


Start to think different
Take control, take a step

Make a choice, make a movement

Seize the day, don’t hold back


Take risks once in a while
Go bungee-jumping, or skydiving
at least once in your life
Tell your love how you feel about her

(No matter how painful can be the answer)

Don’t work too much, it’s meaningless

Money is good, but won’t buy your happiness

Make the earth a better place
Make little changes everyday
Enlighten the world, fight for peace
Turn the other cheek

Stand up, this is your life

And you know you won’t live twice


Yes, you can start to think different
Take control, take a step
Make a choice, make a movement
Seize the day, don’t hold back