Chico Bento na terra do Tio Sam

domingo, 26 de novembro de 2006

Tempo

Brincar com as palavras é uma das atividades mais divertidas que já experimentei. Parece bobo, não?

Mas observem a palavra tempo, por exemplo: ela traz uma vasta gama de significados, e sua definição tem causado polêmica entre filósofos e físicos desde tempos remotos (olha a palavra tempo aí de novo!). Questões existenciais do tipo "Quando o tempo começou?" ou "O que havia antes do tempo?" nunca foram solucionadas e, acredite, não serão. Note que ambas as perguntas anteriores não fezem o menor sentido, porque envolvem conceitos relacionados ao próprio tempo. Não se pode dizer quando tempo começou, pois a palavra quando já envolve uma idéia de tempo! O segundo questionamento traz um absurdo análogo.

"Que idiotice!", você deve estar pensando. Tá bom, então vou parar com essa baboseira e deixar pra vocês esse poema que escrevi numa noite de insônia, mas que considero um dos meus melhores. O tema é, naturalmente, o tempo.

Tempo

Quanto tempo tem o tempo?
Muito tempo, julgo eu
Mas como se conta o tempo que há no tempo?
Não temos tempo suficiente para isso
Seria perda de tempo tentar

Aquele que diz
“Estou sem tempo”
Mente sem o saber
Pois o tempo está em todo lugar
Antes que qualquer ser estivesse
O tempo já estava
E estará até o fim dos tempos

O tempo passa sem piedade
Levando consigo
Alegrias e dissabores
Prazeres e dores
Tudo isso o tempo leva
Sem saber que leva

Leva ainda mais
Cidades, rios, pessoas, animais
Mesmo o que leva um tempão
O tempo leva consigo

Percebo então que o tempo não passa

Montanhas, vales, desertos, mares
Vidas inteiras
Tudo isso passa
Mas o tempo não passa

O tempo fica

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Memórias do porvir

Depois de ouvir conselhos de alguns amigos, me convenci de que era uma boa idéia fazer um blog. O intuito seria postar alguns dos meus primeiros exercícios poéticos. Entretanto, no princípio não achei que essa mania de escrever vingaria.

Vingou. Toda semana escrevo alguma coisa que me parece digno de ser lido. Quando não escrevo, penso em escrever, ainda que não o faça por um motivo qualquer. Mas as idéias estão lá, ariscas, doidas pra sair. A única válvula de escape é o papel (e talvez a partir de agora, o teclado). Não obstante, o que tenho escrito não tem sido lido por muita gente, salvo um grupo restrito de leitores selecionados por mim mesmo. Ora, pra que servem os poemas, senão para serem lidos? Que valor têm os poemas que ficam escondidos? Pois bem, aí está o meu blog, para esse fim.

Vamos falar um pouco sobre o título. Não tem muito mistério. Estas são minhas memórias sim; mas não do passado. São memórias do amanhã, do meu futuro que eu mesmo vou escrever. E espero que vocês, leitores, me ajudem nessa jornada. Vou tentar manter esse negócio atualizado, o máximo que puder. Desde que haja pessoas interessadas em ler, naturalmente (portanto, comentem!). Pra não deixá-los entediados, tentarei não escrever apenas versos. O que eu achar interessante, vocês verão por aqui.

Bom, essa é apenas uma prévia do que vem por aí. Digamos que seja uma espécie de "cenas do próximo capítulo". Ou se preferir, estas são as memórias do porvir.